MEI em 2026: veja as regras, os impostos e as mudanças previstas para os microempreendedores

Categoria permite a formalização de pequenos negócios com tributação simplificada. Limite de faturamento, pagamento mensal do DAS e declaração anual estão entre as principais obrigações dos empreendedores.


O Microempreendedor Individual (MEI) continua sendo uma das principais alternativas para quem deseja formalizar um pequeno negócio no Brasil. O modelo permite que trabalhadores autônomos e pequenos empreendedores obtenham um CNPJ, emitam notas fiscais e tenham acesso a benefícios previdenciários, desde que cumpram os requisitos legais.

Em 2026, a categoria mantém o limite de faturamento anual de R$ 81 mil, enquanto o pagamento mensal do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) reúne os tributos e a contribuição previdenciária devidos pelo empreendedor. Ao mesmo tempo, mudanças relacionadas à Reforma Tributária e propostas de ampliação do limite de receita colocam o regime em evidência.

Quem pode ser MEI?

Para se enquadrar como Microempreendedor Individual, é necessário exercer uma atividade permitida pela categoria, respeitar o limite de faturamento e atender às demais condições estabelecidas na legislação.

O MEI pode contratar, pelas regras gerais atuais, até um funcionário, remunerado conforme as exigências legais. Também não pode participar como titular, sócio ou administrador de outra empresa.

O regime foi criado para facilitar a formalização de atividades econômicas de menor porte, reduzindo parte da burocracia e permitindo que o empreendedor trabalhe com um CNPJ regular.

Limite de faturamento permanece em R$ 81 mil

Em 2026, o teto anual de faturamento do MEI continua sendo de R$ 81 mil. Para empresas que funcionam durante todo o ano, isso corresponde a uma média de R$ 6.750 por mês, embora o limite seja calculado sobre a receita anual, e não sobre uma obrigação de faturamento mensal fixo.

O valor considera a receita bruta obtida com a atividade empresarial, incluindo vendas de mercadorias e prestação de serviços.

O governo federal, porém, já divulga uma proposta de ampliação gradual desse limite. O Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 186/2026 prevê elevar o teto para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028.

Os novos valores ainda dependem da conclusão da tramitação legislativa e de eventual aprovação e sanção. Portanto, o limite de R$ 81 mil continua válido enquanto não houver mudança legal em vigor.

Quanto o MEI paga por mês em 2026?

O valor do DAS é atualizado conforme o salário mínimo e varia de acordo com a atividade exercida. A contribuição previdenciária corresponde, em regra, a 5% do salário mínimo, acrescida dos valores de ICMS e/ou ISS, conforme o enquadramento.

Em 2026, os valores mensais são:

  • Comércio e indústria: R$ 82,35.

  • Prestação de serviços: R$ 86,35.

  • Comércio e serviços: R$ 87,35.

Para o MEI caminhoneiro, os valores são diferentes e dependem das condições previstas para a categoria.

O pagamento do DAS deve ser realizado mensalmente, inclusive nos períodos em que o negócio não apresenta faturamento. A inadimplência pode gerar encargos e comprometer a regularidade do CNPJ e o acesso a determinados benefícios previdenciários.

Declaração anual é obrigatória

Além do pagamento mensal, o MEI precisa entregar a Declaração Anual do Simples Nacional do Microempreendedor Individual (DASN-SIMEI).

O documento informa a receita bruta obtida no ano anterior e se houve contratação de empregado. A obrigação existe mesmo quando o empreendedor não teve faturamento no período.

Em 2026, a declaração referente ao ano-calendário de 2025 teve prazo até 31 de maio. Quem não entregou dentro do prazo deve regularizar a situação e verificar a multa aplicável.

É importante lembrar que a declaração anual do CNPJ não substitui a declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física. A obrigação de declarar como pessoa física depende das regras específicas aplicáveis aos rendimentos e à situação do contribuinte.

Reforma Tributária exige atenção dos pequenos negócios

A implementação gradual da Reforma Tributária também afeta a organização fiscal das empresas brasileiras. As mudanças envolvem a criação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituirão tributos atuais ao longo do período de transição.

O MEI continuará contando com seu modelo simplificado de recolhimento, com valores fixos mensais, conforme as regras específicas da categoria.

Entretanto, a adaptação dos documentos fiscais, dos sistemas e dos procedimentos administrativos exige atenção. Em agosto de 2026, a Receita Federal divulgou atualizações na regulamentação do Simples Nacional para adequação aos novos tributos, com efeitos previstos, em regra, a partir de 2027.

Os empreendedores devem acompanhar as orientações oficiais para saber quais procedimentos se aplicam à sua atividade e quando as novas regras passam a valer.

Organização financeira ajuda a evitar problemas

Especialistas em empreendedorismo recomendam que o microempreendedor mantenha o controle das receitas, despesas, pagamentos e documentos fiscais.

A separação entre as finanças pessoais e as do negócio facilita o acompanhamento do faturamento e ajuda a identificar quando a empresa se aproxima do limite permitido.

Também é importante guardar comprovantes, acompanhar o vencimento do DAS e entregar a declaração anual dentro do prazo. Em caso de dúvidas sobre o enquadramento ou sobre o excesso de faturamento, a orientação de um profissional de contabilidade pode ajudar a evitar irregularidades.

Formalização oferece oportunidades, mas exige responsabilidade

O MEI representa uma alternativa para trabalhadores autônomos que buscam formalizar suas atividades e ampliar suas oportunidades comerciais. O acesso a um CNPJ pode facilitar a emissão de notas fiscais, a contratação de serviços e o relacionamento com fornecedores e clientes.

Por outro lado, a formalização exige o cumprimento de obrigações fiscais, previdenciárias e administrativas.

Com o debate sobre a ampliação do teto de faturamento e a adaptação à Reforma Tributária, acompanhar as mudanças legais será fundamental para os empreendedores que pretendem manter seus negócios regulares e planejar o crescimento nos próximos anos.


*Por Alexandre Alves*


*Jornalista – Registro Profissional nº 0014894/DF*

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