A segurança da moradia tem seu preço

*Em busca de medidas eficientes morar em apartamento torna-se cada dia que passa uma necessidade vital

A questão da segurança individual e da família tem que estar implícita. Morar em casa, por mais liberdade que dê a cada um, é motivo de constante preocupação. Os assaltos tornam-se comuns a qualquer hora do dia e não mais somente à noite. Mas, morar em apartamentos tem também o seu preço. Se numa situação, há o oferecimento de maior segurança, sobra exigências de comportamento.

A família compra, na maioria das vezes, a duras penas, móveis de sala, geladeira, fogão, máquinas de lavar roupa, enceradeira, televisão, computador, entre outros apetrechos e o ladrão chega. Dá-se, inclusive, ao luxo de estacionar o caminhão à sua porta, invade a sua moradia e leva tudo.

Em poucos minutos, a pessoa fica praticamente com a roupa do corpo. E ainda dá graças a Deus por estar com vida. Às vezes saiu para o trabalho e, sem ninguém em casa, a ação do bandido é facilitada. Se a pessoa está em casa, é ameaçada de morte e, muitas vezes, espancada na frente de filhos. O trauma o acompanha pelo resto da vida.

Ah, mas os ladrões também chegaram aos apartamentos! Sem dúvida. Mas, morar num apartamento, com certeza, é mais seguro. Por várias razões. O prédio sempre dispõe de portaria, que monitora quem chega e quem sai. Há sistemas de vigilância 24 horas por dia.

A verdade é que, pelo próprio instinto de segurança pessoal, o ladrão prefere as casas, sobretudo as mais ermas e de pouco movimento. Roupar em apartamentos exige o envolvimento de pessoas, formando naturalmente um grupo. E, acima de tudo, audácia, envolvimento de terceiros. É uma situação bem mais complexa. Embora, não impossível.

Mas, vamos ao que interessa. Morar em apartamento, contudo, exige alguns princípios, sobretudo, de educação. Tem seu preço e alto. O bom-senso deve prevalecer, acima de qualquer coisa. Neste mundo global, as pessoas estão estressadas por múltiplas razões. Nem todas justificáveis. Paira no ar um clima de desentendimento gratuito. É o congestionamento crescente nas cidades, a crise econômica, a inflação nos preços dos alimentos, o desemprego, uma melhor expectativa de vida, etc.

Mas voltando ao tema central. O barulho em prédio de apartamento causa problema. Seja de crianças correndo nas áreas térreas, de festas em horários impróprios, além das 22 horas, ou de praticantes de instrumentos musicais. Sistemas barulhentos de refrigeração ou aquecimento, máquinas de lavar roupa, entre outros assemelhados.

Casos de inadimplência no sistema de rateio das contas são comuns no condomínio. E saber que você está pagando as contas do vizinho irrita e choca. Outra coisa que enche a paciência são os animais de estimação. Cachorro e gato dentro do apartamento geram incômodos. Por ficarem muito tempo sozinhos acabam latindo, miando, sujando de fezes áreas de lazer e calçadas. Os bichos maiores intimidam. Pássaros, como periquitos, papagaios e araras também incomodam.

A “coisa” não para aí. Há outras situações. O cerceamento do trânsito de crianças provoca algum problema. Com as pessoas optando por condomínios com infraestrutura de lazer, os moradores não querem saber de delimitações e proibições nessas áreas. Falta de participação em assembléia. É comum os condôminos se ausentarem das assembléias e depois criticarem a administração.

Em muitos condomínios a garagem não comporta todos os carros. Há limitações de vagas de estacionamento. Nos prédios, às vezes o número de vagas é inferior ao de apartamentos. Ou, por outra, há mais de um carro. A pessoa insiste em colocar dois carros estacionados na mesma garagem. É claro que incomoda uma situação assim, porque aperta circulação das pessoas. A gestão das garagens sempre gera conflito. O morador fica insatisfeito. Há ainda situações das pessoas estacionarem em locais proibidos, impedindo a circulação de veículos. E alertados reagem com a maior “cara de pau” e, por incrível que pareça, há os agressivos insatisfeitos com as naturais exigências de respeito.

Os condôminos exigem, com toda razão, que a gestão do síndico seja transparente. O síndico tem que prestar contas de forma clara. O Condomínio Morada do Bosque, localizado no Setor Marista, apresenta um caso típico em que o síndico apresentou uma proposta de mudança na fachada para tornar o prédio mais moderno. Maquetes foram apresentadas com a nova cara do prédio. Realmente, chamou a atenção pela aparência chique e os condôminos presentes derem sinal positivo. O rateio, então, ocorreu. E por vários meses o pagamento das cotas foi feito de forma religiosa direto no banco. Ocorre que a obra jamais saiu do papel. Nem a devida prestação de contas com a devolução do dinheiro. Para a mudança de fachada, precisou de uma nova gestão e, claro, outro rateio.

O cargo não pode ser vitalício. Porque o síndico correspondeu, contudo, e outra pessoa mostrou desinteresse na sucessão, manteve as funções. Há outros casos, muitas vezes por interesse inconfessável, do candidato a síndico dispor da procuração e responder pelos seus atos em assembleia. E, desta forma, fica por mais um período na gestão do condomínio. A reeleição fica tranquila.

Na verdade, é comum o condômino não querer participar de assembleias, sob as mais variadas justificativas. A maioria por preguiça mesmo, não quer perder o noticiário da televisão ou as novelas que sempre acontecem às primeiras horas da noite. E aí mora o perigo. O arrependimento por não ter escolhido pessoas integras para conduzir o condomínio pode vir tarde demais.

Pelo que se vê, a escolha da moradia é difícil. Se fica, o bicho pega. Se corre, o bicho come.

*Wandell Seixas, jornalista voltado para o agro, bacharel em Direito e Economia pela PUC-GO, ex-bolsista em cooperativo agropecuário pela Histradut, em Tel Aviv, Israel, autor do livro O Agronegócio passa pelo Centro-Oeste e assessor de Imprensa da Emater